Namorar pra quê?

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Em quase todos os países, o dia dos namorados é comemorado no dia de São Valentim, o padroeiro dos namorados, em 14 de Fevereiro. Por aqui ficou famoso o dia 12 de Junho, uma comemoração criada no meio do século passado. A data tem relação com a véspera de 13 de Junho, dedicado a Santo Antônio, que na cultura popular é casamenteiro. Mas a proposta partiu de publicitários, com o objetivo de aquecer a vendas em um mês onde elas tradicionalmente eram reduzidas.

Comércio ou devoção, o fato é que esta data já faz parte de nossa cultura. Ainda que movimente cifras milionárias, não tenho receio em dizer que o namoro não anda "essa coisa toda". Está desfigurado e pouco valorizado como tempo de conhecimento e cultivo de uma amizade que aponta para o casamento. Muita propaganda, muita música falando de amor, mas na prática...

Há muita gente namorando, mas pouca gente se conhecendo de verdade. Talvez o namoro esteja sendo artificial e com a preocupação de se impressionar um ao outro, pouco dispostos a se conhecerem de verdade. Talvez esteja agitado demais com a rotina dos barzinhos, festas e casas de amigos, não sobrando tempo para uma conversa olho no olho. Ou ainda, os poucos momentos a sós podem estar servindo unicamente para a entrega imatura de seus corpos, sem compromisso verdadeiro e sem respeito ao projeto de Deus. Desenvolvem namoros "xoxos" que se arrastam para lugar nenhum.

Para onde caminha seu namoro?

Somente o conhecimento, fruto da convivência baseada no diálogo sincero, capaz de expor todos os sentimentos, quase um "virar ao avesso" de um namorado diante do outro é capaz desenvolver o amor que São Paulo nos exorta na carta aos Efésios, aquele de se entregar um pelo outro tal como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.

É hora de colocar o namoro na balança e avaliar se ele tem se baseado no diálogo sincero. Quantas vezes vocês têm falado de suas vidas, sentimentos, projetos, inseguranças e medos? Já questionaram o caminhar do próprio namoro? Até mesmo um ateu sabe que sem diálogo o namoro não vai a lugar algum. O filósofo existencialista Nietzsche dizia que a pergunta mais importante a ser feita a quem pensa em casamento é se continuará a ter prazer em conversar com o cônjuge até a velhice.

Já pensou que várias características externas de seu namorado (ou namorada) vão se alterar nos próximos anos? Sua fisionomia vai mudar, as rugas vão chegar, o ânimo para as baladas vai se reduzir. Nem se sabe se terão dinheiro e saúde para tudo o que planejam viver. A característica que os atraiu poderá não mais existir. Mas se foram atraídos por algo interior ou se deixaram conhecer para criar uma verdadeira amizade, o relacionamento não se enfraquecerá sob os efeitos do tempo. O amor baseado na amizade, fruto do conhecimento constante, cresce na mesma medida que nosso exterior envelhece.

O que mantém vocês namorando?

Além das comemorações, dos presentes, dos beijos e abraços, use também este dia para fazer duas perguntas. Se estão cultivando, de verdade, uma amizade baseada no conhecimento e se sabem para onde caminham. Se uma das respostas for não (mais ainda se as duas forem não!) é hora de tomar atitude. Ou investe seu tempo na construção de uma casa sobre a rocha ou interrompe a construção de uma casa sobre a areia, pois o desabamento poderá ser mais traumático. Namoro não é brincadeira.

Feliz dia dos namorados! Feliz construção de uma família!

André Parreira

Diocese de São João del-Rei - MG, membro da Assessoria
Pedagógica da Comissão Nacional da Pastoral Familiar

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