Denuncie o abuso sexual de crianças

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Iniciativas na Igreja são sinônimo de luta e engajamento no enfrentamento à realidade de exploração sexual de menores presente em muitos lugares do país

Denuncie o abuso sexual de crianças

Para além das notícias que ligam a imagem da Igreja Católica com os lamentáveis casos de pedofilia, há um firme e pouco evidenciado trabalho de enfrentamento ao abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas. As ações geralmente acontecem em várias frentes, como sensibilização, prevenção e formação; acompanhamento dos casos; incidência política e articulação e parceiras. Sem a devida divulgação, religiosas e leigos seguem comprometidos com a defesa da vida.

Irmã Rose Bertoldo é uma religiosa que atua em Manaus (AM). Ela faz parte da Rede Intercongregacional “Um grito pela vida”, uma rede ligada à Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). A Rede trabalha no enfrentamento ao abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas. “No Estado do Amazonas, articulamos e realizamos diversas atividades de prevenção nas escolas públicas, municipais e estaduais, oficinas com juventudes nas paróquias, comunidades, na catequese, e também com outras igrejas”, explica a religiosa.

Em datas específicas, como o dia 18 de maio, quando inicia a Semana de Combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, também são promovidas ações. “Por ocasião do carnaval, festas temáticas em alguns municípios do estado do Amazonas, como Parintins, a Festa do Boi, em Manacapuru, a Festa da Ciranda, com o objetivo de sensibilizar e alertar a sociedade para o crime do abuso, exploração sexual e o tráfico de pessoas. Através de distribuição de material informativo, conversas com a população em geral”, com irmã Rose.

Irmã Henriqueta Cavalcante é uma referência na luta contra o abuso de menoresTambém na região amazônica, outra religiosa está engajada com esta realidade. Irmã Henriqueta Cavalcante é uma referência na luta contra o abuso de menores, principalmente na região da prelazia de Marajó (PA), onde atua com intensidade ao lado do bispo emérito da prelazia, Dom José Luiz Azcona Hermoso. O trabalho dos dois já rendeu ameaças à vida por parte de pessoas que lucram com prostituição infantil e tráfico de pessoas.

Em abril, a religiosa participou de audiência pública no município de Melgaço (PA) sobre violência sexual e tráfico de pessoas. Irmã Henriqueta relatou a “presença animadora” de juiz, promotora, delegado, Conselho Tutelar, igrejas, gestão municipal e o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, além da Cáritas e da Comissão Justiça e Paz do regional Norte 2 da CNBB.

Para a irmã, “violentar crianças e adolescentes é matar o futuro”.

As audiências públicas fazem parte da incidência política. A Rede Um grito pela Vida, por exemplo, tem acento no comitê Estadual de enfrentamento ao abuso e exploração sexual, no Amazonas, onde são realizadas muitas ações em comum, “fortalecendo a rede de proteção, bem como no acompanhamento às denúncias e o monitoramento dos casos denunciados”, conta irmã Rose.

“Trabalhamos em parceria e articuladas com diversas instituições onde são realizadas ações em comum: caminhadas, encontros formativos, seminários com a temática do abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas”, relata.

A participação de toda a Igreja nessa realidade ainda é um desafio. A Campanha da Fraternidade de 2014, cujo tema foi “Fraternidade e Tráfico Humano”, chamou atenção de alguma forma para esta realidade. Irmã Rose Bertoldo considera, entretanto, o engajamento eclesial ainda tímido. “Por parte dos padres, alguns abraçam a causa, outros ainda não despertaram para isso. Ultimamente tem despertado muitas lideranças nas igrejas onde realizamos o trabalho, aqui na arquidiocese de Manaus, temos uma grande parceria com a Cáritas que tem um grande projeto de prevenção ao abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas, o que muito nos anima”, diz.

Irmã Rose acredita que cada vez mais dentro do contexto atual “de negação e violação dos direitos” haverá um engajamento por parte da Igreja, “pois estas questões têm violado muito a vida das famílias, e isso requer um comprometimento de todas e todos nós”.

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Ao se deparar com um caso de abuso, alguns passos devem ser seguidos. Irmã Rose explica:

A primeira medida a ser tomada é ouvir a pessoa sem julgamento, logo em seguida, proceder com a denúncia, via conselho tutelar, acompanhando os procedimentos, bem como o monitoramento junto à delegacia da infância e juventude, sempre protegendo a criança e o adolescente quanto à exposição.

Caso as instituições sejam negligentes, é necessário denunciar ao Comitê de Enfrentamento ao abuso e exploraçao sexual, ou aos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS), ou a outras instituições que trabalham com a infância e juventude.

Outra opção para proceder com a denúncia de casos de violação, é o Disque Direitos Humanos, o Disque 100, serviço de atendimento telefônico gratuito, que funciona 24 horas por dia, nos 7 dias da semana. As denúncias recebidas são analisadas, tratadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.

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